quarta-feira, maio 24, 2006

Quarta feira...

Odeio quarta feira...
Uma frase bem direta para um dia cansativo aonde rezo pra chegar o final de semana e percebo que ele ainda tá tri longe... alem de ser um dia chato, sem moral, na TV só passa futebol, vc está já cansada de uma jornada de trabalho desgastante (digo isso porq essa semana ninguem merece) e nem pode pensar que amanha irá poder descansar porq o bendito sábado ainda falata muito, apesar que sábado também trabalho, mas domingo sim, esse é o dia da gloria...
Dia de acordar tarde... ficar o dia sem fazer nada... vagabundeando e comendo guloseimas...hehehe coisa de gorda mesmo.....
Mas enfim... to cansadinhaaaaaaaaaaaaaaa......

bjocas...ka

sexta-feira, maio 12, 2006

Meu Quarto

Podemos sair de casa há anos, e o quarto que abandonamos é conservado pelos pais. Não modificam uma vírgula de nossa letra. Não alugam, não fazem reforma, não mudam as estantes, não trocam a pintura, a fechadura e os tapetes. Nós alteramos a infância, não os pais, que em qualquer idade nos enxergarão pequenos. Nos enxergarão como se ainda fosse possível resolver a tristeza e a dor com um colo.
Quando voltamos para a residência familiar, separados ou exilados, desempregados ou desencantados, descobrimos o quanto eles nos amam. Amam a criança que fomos. Nenhuma boneca foi jogada fora, enfileiradas pelo tamanho. Nenhum carinho desperdiçado. As canetas coloridas da escola guardam tinta. As agendas estão na gaveta, com as fotos dos amigos e as primeiras confidências. Os pôsteres das bandas de rock, que hoje nem fazem mais sentido, permanecem atrás da porta branca. As revistas proibidas seguem escondidas em uma madeira solta debaixo da cama. A mesma cômoda onde escrevemos as cartas de amor e varamos a noite estudando para provas. O mesmo abajur preto, com problemas de contato. O mesmo enxoval, como se tivéssemos passado um longo final de semana fora, e retornássemos de uma hora para outra. O mesmo travesseiro com cheiro de nosso pijama. Os mesmos cabides e espelho. Até a pantufa nos aguarda, com a plumagem desalinhada de ovelha.
Tudo em ordem e recente, a apagar que lacramos a porta com um adeus, a esquecer que viramos o rosto para sermos felizes com nossas famílias. Os filhos são dramáticos e se despedem com adeus, mas vão voltar e voltam, mesmo que seja para se despedir verdadeiramente. E não é apenas a aparência do quarto que resiste intacta. É o jeito como os pais nos tratam, sem censura e castigo, sem julgar as escolhas e precipitar arrependimentos. Em silencio, a mãe fará o bolo de laranja predileto. Ruidoso, o pai perguntará se não queremos caminhar com ele. Ao sair, a mãe dirá para não esquecermos o casaco, o pai avisará para nos cuidar e voltar cedo. O tratamento é idêntico à adolescência. A velhice não ameaça o amor.
Apesar de confiarmos que somos outros, os pais continuam nossa vida. Não interessa a cor de cabelo, a tatuagem, o piercing, a cicatriz, a ferida, a alegria ressentida, os fios grisalhos e os divórcios, os pais acreditam que somos os mesmos. Somos as crianças que eles deixaram crescer.

Fabrício Carpinejar – Poeta e jornalista.


Esse texto foi minha mãe que recortou e enviou para mim... e é exatamente igual ao que acontece comigo...

bjos
....ka