sexta-feira, março 15, 2013

desafios....

Estive pensando... eu que sabia e que tinha o controle de tudo... surpreendi-me com o fato de que meus filhos me surpreendem diariamente. Que ironia..... Sabe quando vc sabe como as coisas irão acontecer? Pois é... eu achava que sabia.... Só tenho a dizer que que conclui que a Antonia e o João são simplesmente eles mesmos... e as vezes imaginava eles como cópias minhas mas percebi que estou enganada.... eles são eles....

sexta-feira, março 08, 2013

Recomeçando a encarar....

Existe uma "particularidade" da minha vida, que d particular e pequeno, como sugere a palavra, não tem nada e que passei muitos anos da minha vida convencendo-me que era sim uma particularidade. Aos 15 anos fui diagnosticada como bipolar. Confesso que para uma adolescente achei fascinante, pois justificava meus sentimentos confusos e minha inquietude para as coisas. Mas senti-me diferente. Uau todos os adolescentes esperam ser diferentes, achei o máximo. Iniciei tratamento com o Lítio (ainda o melhor medicamento para isto) e dias passaram e percebi o quão desagradável era encarar os efeitos colaterais iniciais e que resultariam na estabilização da doença. Só que ninguém me disse que este processo era longo, e que os rótulos que foram sendo construídos da minha pessoa me incomodariam durante anos. Quais? Como qualquer adolescente e até por recomendações médicas era preciso que as pessoas do meu convívio tivessem clareza e soubessem o que estava acontecendo comigo, pois os médicos justificam e concordo em partes, que o processo é lento, que bipolaridade é uma doença muito grave, e que precisamos de ajuda. Só que os médicos se esquecem que as pessoas que convivem com a gente são seres humanos, e este fato só já é suficiente para entender que eles erram também. Julgam, constroem rótulos que não são verdadeiros. As pessoas que convivem comigo (pais, marido e parentes mais próximos) cometeram o mesmo erro que eu há alguns anos atrás. Quando fui diagnosticada, entendi que o fato de eu ser impulsiva, estúpida, impaciente, difícil (como muitos dizem) era um fato de eu ser bipolar, e que inconscientemente deduzi que se me tratasse isso mudaria, aliás sumiria. Como se eu fosse me tornar uma pessoa diferente. Isso era o desejo mais esperado, o resultado mais óbvio. 
Hoje eu entendo algumas coisas que me ajudaram a amadurecer quanto a isto: abandonei diversas vezes o tratamento. Retornava inúmeras vezes ao médico para reclamar que ainda não estava bom, o que resultou numa tortura de troca de medicações constantes que me fizeram chegar a desistências múltiplas por me frustrar e não aceitar ser uma cobaia, um experimento. E retornando aos rótulos, diante destes anos todos, me machucava muito o fato de ouvir as pessoas dizerem: "ela é assim porque é bipolar" "tu precisa te tratar".
Dias atrás ouvi uma entrevista no rádio de um pai que tem uma filha com síndrome de Down, e resumidamente uma frase dele me fez pensar muitas coisas. Ele afirmou que o que mais incomodava ele não era o fato das pessoas olharem para a filha dele com estranheza ou com pena, esse sentimento é normal, e não se trata de preconceito. "O maior preconceito que existe é as pessoas olharem para ela e ver somente a síndrome de down. Ela não é o Down, ela é uma pessoa que tem uma doença que é apenas uma parte dela, não ela". Essa frase é tão fantástica que ainda na entrevista ele reforça a revolta e a indignação que isto é para ele, porque ele afirma com muita certeza que ele, ao qual convive diariamente com ela, enxerga em momentos muito raros mas que são reais, atitudes que ela faz que são de qualquer criança na idade dela. E é isso que ele argumenta quando diz: Ela não é o Down, o Down é uma parte dela". 
A partir deste momento percebi algumas coisas que se encaixaram corretamente. Eu sou impulsiva, sou brigona, determinada, tenho opiniões fortes que se baseiam em fatos claros e que para serem contrariados requerem argumentos sólidos. Mas tenho uma doença pouco estudada, que não me faz uma louca, e que não são minhas características. Ela só faz com que o que sou tenha uma intensidade muito maior, que por diversas vezes tiveram consequências de descontrole e até mesmo de desespero por não saber lidar com o que sinto e com as frustrações diárias. 
O resultado foi que durante alguns anos não me tratei e passei boa parte provando que não sou bipolar.
Mas sou, só que hoje estou agindo diferente. Infelizmente escolhi o silêncio. Ninguém sabe que fui ao médico e que retornei as medicações. Isso não é orgulho, é amadurecimento de entender que meu convívio será melhor com as pessoas e comigo mesmo, mas estou convencida de que as pessoas não estão preparadas para saber, porque criarão rótulos e o circulo vicioso vai acontecer novamente.
Por hora estou me adaptando a medicação e sofrendo bastante. Não é fácil sentir tremores  náuseas e sonolência. Mas isso passa, e é isso que eu espero, diferentemente de antes.